Mudar de casa no Porto com animais: como mantê-los calmos e seguros
Para os membros de quatro patas da família — de uma equipa que mudou seis gatos entre dois continentes.

Mudar de casa já é stressante que baste. Fazê-lo com um gato que se esconde ao primeiro sinal de uma caixa de cartão, ou um cão que anda de um lado para o outro assim que os móveis começam a mexer-se, é um desafio completamente diferente.
A maioria dos guias sobre animais em Portugal foca-se em como trazer um animal para o país: microchip, vacina da raiva, papelada. Isso é importante, mas não é disto que trata este guia. Este é para quem já vive no Porto (ou em qualquer parte de Portugal) e está a mudar de casa e quer que o dia seja o mais tranquilo possível para os membros de quatro patas da família.
Isto conhecemos bem. Mudámo-nos da Argentina para o Brasil e, mais tarde, do Brasil para Portugal — com seis gatos. Por duas vezes empacotámos uma casa inteira, uma família e meia dúzia de felinos profundamente indignados, e levámos toda a gente em segurança até ao outro lado. Desde então, mudámos gatos e cães por todo o Portugal e além-fronteiras, incluindo um gato do Porto para Madrid. Por isso, quando dizemos que percebemos de mudar com animais, não é um slogan. É experiência.
Aqui fica o que realmente ajuda.
Comece semanas antes do que pensa: a caixa de transporte
Se há um conselho neste guia para pôr em prática hoje, é este — porque é o que precisa de tempo, e o que quase toda a gente faz mal.
A maioria das pessoas guarda a caixa de transporte num armário e só a tira no próprio dia. Do ponto de vista do gato, aquela caixa significa uma coisa: está prestes a acontecer algo desagradável. Repare em como ele reage e vai perceber — não a vive como transporte, vive-a como uma emboscada. Não admira que fuja.
Em vez disso, tire a caixa semanas antes da mudança — quanto mais cedo, melhor — e deixe-a simplesmente num sítio acessível, aberta, com uma manta ou almofada macia lá dentro. Deixe o gato dormir nela, esconder-se nela, ignorá-la, voltar a ela. O que está a fazer é transformar a caixa de emboscada em toca: um espaço familiar e seguro que cheira a ele. No dia da mudança, um animal que já adora a sua caixa viaja em algo que lhe parece casa, não uma armadilha.
No próprio dia, garanta que a caixa ainda cheira a ele e ponha lá dentro algo macio. O stress pode causar acidentes — é medo, não é mau comportamento — e, embora as caixas sejam feitas para escoar pelos lados, um animal não devia ter de ficar sentado numa superfície dura e molhada. Uma manta, uma almofada ou um resguardo absorvente mantêm-no confortável e seco.
Os animais sentem a mudança antes de a primeira caixa ser feita
Os animais são criaturas de rotina e território. Muito antes do dia da mudança, reparam nas caixas, na alteração do ambiente, na perturbação do seu espaço. Os gatos, em especial, podem ficar ansiosos, esconder-se ou deixar de comer; os cães podem tornar-se agarrados ou inquietos.
A coisa mais gentil que pode fazer é manter o mundo deles o mais normal possível durante o máximo de tempo possível. Dê-lhes de comer às horas do costume, mantenha a cama e os brinquedos à vista até ao último momento e dê-lhes atenção mesmo quando está ocupado. Um animal calmo nos dias antes da mudança é um animal mais calmo no próprio dia.
O quarto seguro: a coisa mais importante no dia da mudança
No dia da mudança, o pior sítio para um animal é no meio da ação — portas abertas, pessoas a carregar móveis, ruído estranho. O instinto de um animal assustado é fugir e esconder-se, e é a última coisa que alguém quer a meio de uma mudança. A boa notícia é que é fácil de evitar.
Dê-lhe um quarto fechado e tranquilo para ficar enquanto tudo o resto acontece. Ponha lá a cama, água, comida, o caixote da areia, a caixa de transporte e um brinquedo preferido, feche a porta e avise toda a gente de que fica fechada. O seu animal tem uma base calma longe do barulho, e não há forma de um animal assustado chegar a uma porta de entrada aberta enquanto as caixas vão para a carrinha.
Faça desse quarto o último a ser empacotado e o primeiro a ser montado na casa nova, e a perturbação para o seu animal fica reduzida ao mínimo.
Mantenha um cheiro familiar na casa nova
Quando chega ao sítio novo, tudo cheira a errado para um animal — e o cheiro é a forma como ele entende o mundo. Leve a cama, a manta e os brinquedos por lavar e monte-os primeiro, antes de desempacotar tudo o resto. Esse cheiro familiar diz ao seu animal "isto continua a ser a tua casa, só que num sítio novo" e ajuda-o a adaptar-se muito mais depressa.
Os primeiros dias importam tanto como o próprio dia. Um animal numa casa nova ainda não mapeou o seu território, e um animal que sai antes de saber onde é a casa pode ter dificuldade em encontrar o caminho de volta. Mantenha-o dentro de casa, num quarto calmo ao início, e deixe-o explorar o resto da casa aos poucos e ao seu ritmo. Dê-lhe tempo. Ele vai dizer-lhe quando estiver pronto.
A parte em que quase nenhuma empresa pensa: alguém que viaja com eles
É aqui que fazemos as coisas de forma diferente, e é a parte de que mais nos orgulhamos.
Para a maioria das empresas de mudanças, um animal é apenas mais uma coisa para carregar. Para nós, um animal nunca é carga. Quando mudamos uma família com animais, alguém viaja com os animais na carrinha — a falar com eles, a mantê-los calmos, a garantir que se sentem seguros durante todo o caminho. Já levámos três cães e dois gatos do Porto para Viseu dessa forma, com um de nós sentado ao lado dos cães para não ficarem sozinhos, parando várias vezes ao longo do percurso para todos descansarem.
E vai mais longe do que isso. Quando entramos numa casa com um gato ou um cão, não estendemos a mão para lhes fazer festas. Deixamos que venham ter connosco, que nos cheirem, que nos avaliem ao seu próprio tempo — porque aproximarmo-nos de um animal no seu território é intrusivo, e ele já tem que chegue naquele dia. E falamos com eles. A voz humana é uma das melhores ferramentas que existem para acalmar um animal, e não custa nada usá-la.
Parecem coisas pequenas. Para quem ama o seu animal, são tudo. Saber que o seu cão não está sozinho e assustado dentro de um veículo em andamento — que há ali uma pessoa, a falar com ele, a parar quando é preciso — é a diferença entre um dia traumático e um dia gerível.
Conselhos práticos para a viagem em si
- Use uma caixa de transporte que o seu animal já conhece e de que gosta — familiar, nunca nova em folha.
- Forre-a com algo macio que cheire a casa; acrescente um resguardo absorvente se a viagem for longa.
- Não dê uma refeição grande mesmo antes de viajar, para evitar enjoo; um pouco de água não faz mal.
- Junte os essenciais num só saco: comida, taças, medicação, areia, um brinquedo preferido, uma manta familiar.
- Em viagens longas, planeie paragens para todos descansarem.
- Mantenha os primeiros dias na casa nova calmos, dentro de casa, e deixe-o explorar um quarto de cada vez.
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