Seis gatos ensinaram-me a fazer este trabalho
A história por trás do nome — e por trás de tudo o que a Don Michi faz.

As pessoas partem do princípio de que sou dona desta empresa. Tecnicamente, sou eu que a giro. Em tudo o que importa, pertence a seis gatos.
Não digo isto como uma frase gira. A Don Michi tem o nome deles, existe por causa deles, e funciona como funciona porque passaram anos a ensinar-me como — um miau exigente de cada vez.
Uma promessa feita a seis gatos
Foram resgatados da rua. Quando os acolhi, fiz-lhes uma promessa, como se faz: nunca mais. Nunca mais frio, nunca mais fome, nunca mais serem deixados para trás.
Por isso, quando chegou a altura de deixar o país — e chegou duas vezes, primeiro da Argentina, depois do Brasil — nunca houve uma conversa a ter sobre o que acontecia aos gatos. Vinham. Todos os seis. Essa parte simplesmente nunca esteve em discussão.
O que eu ainda não sabia era o quanto cumprir essa promessa me iria exigir.
A primeira mudança, e tudo o que fiz mal
À primeira, fiz quase tudo mal.
Comprei seis caixas de transporte novas em folha e tirei-as na manhã da mudança. Do ponto de vista dos gatos, seis caixas estranhas apareceram do nada e alguém em quem confiavam começou a tentar metê-los lá dentro. O que se seguiu foram arranhões, gatos entalados debaixo do sofá, e aquela coisa muito particular e horrível de ver animais que amamos com medo de nós.
Depois oitocentos quilómetros de estrada até ao aeroporto, uns dias para recuperar, uma escala longa. Aluguei um quarto, abri as caixas e preparei-me para o pior. Ao fim de minutos, cinco deles corriam pelo quarto como se nada tivesse acontecido. Um pequenino ficou lá dentro, só a observar. Foi a primeira coisa que me ensinaram: recuperam muito mais depressa do que nós. É quase sempre o humano que demora mais.
O que um gato lhe ensina, em silêncio, sobre planear
Aqui está a parte que me mudou mais do que percebi na altura.
Levar seis animais através de uma fronteira, de forma legal e segura, obrigou-me a planear como nunca na vida. O visto certo, não o quase-certo. O arrendamento tratado à distância. As poupanças mesmo lá. Cada documento em ordem, cada vacina feita — as deles e as minhas. Nada deixado para "logo se vê quando chegarmos", porque com seis gatos a depender de si não há chegar-e-logo-se-vê. Só há aquilo que preparou.
Aprendi a correr a coisa toda na cabeça antes de a viver — a ensaiar os cenários, a perguntar o que podia correr mal em cada passo e a responder de antemão. Com um gato, não se improvisa. Faça-o vezes suficientes e deixa de ser esforço para passar a ser a forma como se é feito. Até hoje, muito pouco me apanha desprevenida numa mudança, porque normalmente já a imaginei a acontecer. Esse hábito não é uma competência de negócio que fui aprender. É uma competência de gato. Eles é que não sabem que ma deram.
A segunda mudança — e a empresa que não é bem minha
À segunda mudança, do Brasil para Portugal, já era mais esperta. Mais ou menos.
Desta vez as caixas saíram meses antes. Os gatos dormiam nelas, comiam nelas, ignoravam-nas, voltavam a elas. Quando viajámos, já não eram uma emboscada — eram uma toca. Também pus dois gatos por caixa em vez de um em cada, aterrorizada que se pegassem. Não se pegaram; juntos, viajaram mais calmos. E depois a vida fez o que a vida faz. O aeroporto entrou em greve, ficámos retidos três dias, e foi assim que aprendi a palavra portuguesa que nunca vou esquecer: greve. Ao terceiro dia tinha ficado sem comida de gato, sem nada aberto a quilómetros, e foi assim que seis gatos comeram fiambre do pequeno-almoço do hotel num quarto alugado. Eu estava devastada por eles. Eles, que conste, tiveram o melhor dia das suas vidas.
Portugal também não baixou a fasquia quando chegámos. Seis gatos não cabem num apartamento minúsculo — precisam de luz, e de ar, e de plantas, e de uma janela que valha a pena ficar a olhar durante horas. Por isso aluguei maior do que era estritamente confortável, o que significava ter de ganhar mais para o manter, o que, uma decisão de cada vez, é como apareceu a primeira carrinha, e depois o trabalho, e depois a empresa. Não comecei a Don Michi e por acaso tenho gatos. Comecei-a porque seis gatos tinham decidido em silêncio que eu ia viver uma vida extraordinária quer me desse jeito quer não — esforço extraordinário, responsabilidade extraordinária e, nos dias bons, resultados extraordinários. A empresa é deles. Eu, na maior parte, atendo o telefone.
A única coisa que eu não tinha quando cheguei
As minhas últimas mudanças com eles foram calmas. Não porque os gatos tivessem finalmente aprendido alguma coisa — porque eu tinha, finalmente.
Já não temia o dia, e já não andava com pressa. Tinha um sistema, e era sobretudo sobre mim: manter a caixa à vista durante semanas, nunca escondida em cima de um armário, onde se transforma num alarme. Pôr os gatos num quarto fechado e tranquilo no momento em que a casa vira um caos. Uma caixa grande, não seis pequenas. Ordem primeiro — só depois deixá-los sair. Acalmaram porque eu tinha acalmado. Esse, afinal, era o segredo todo.
Mas há algo que eu não tinha quando cheguei pela primeira vez a um país novo — assustada e sem chão apesar de toda a experiência que tinha juntado. Não tinha ninguém que me olhasse nos olhos e dissesse: respira. Eu trato disto. Os pequenos vão ficar bem, e sei-o porque já o fiz muitas vezes. Ninguém mo disse. Por isso tive de me tornar essa pessoa eu mesma — firme, preparada, segura. E a certa altura, no processo de me tornar nela, percebi, por dentro, exatamente como é ser a pessoa que se desmorona, convencida de que o seu animal nunca a vai perdoar. Essa compreensão é a verdadeira coisa que os gatos me deram. Todo o resto é só técnica.
E é por isso que é a primeira coisa que fazemos
Porque agora vejo-o em cada mudança. Os animais estão quase sempre bem. São as pessoas que se desmoronam — a pedir desculpa, a preocupar-se, convencidas de que o gato as odeia por isto.
Por isso a primeira coisa que fazemos mesmo numa mudança com animais quase nada tem a ver com o animal. É cuidar da pessoa. Um dono calmo é a melhor coisa que pode acontecer a um animal assustado, e nenhuma quantidade de perícia o substitui. O resto é só fazê-lo em condições: comida à vista, areia ao alcance, água que não vão beber mas que tem de ser oferecida à mesma, e nunca, nunca apressar um animal que já está a ter um dia muito estranho. Sei o que um gato consegue suportar ver, ser levado ao pé, e cheirar — porque seis deles me ensinaram, com paciência, ao longo de anos.
Seis gatos resgatados ensinaram-me a fazer este trabalho. É precisamente por isso que a empresa tem o nome deles. Nunca pediram a honra, claro. Simplesmente assumiram que era deles — como os gatos assumem que tudo é deles. Incluindo, ao que parece, a empresa.
— Valeria
O que dizem os nossos clientes
"Excelente serviço de mudança. Super pontuais, cuidadosos e profissionais. Surpreendeu-me como trataram bem as minhas coisas: chegou tudo em perfeito estado. Além disso, tiveram uma atenção especial com os meus animais, o que me deu imensa tranquilidade durante todo o processo."
— Diego Bordón · mudou-se com os seus animais
"Desde a coordenação até à colocação da rede de proteção para a nossa gatinha, tudo perfeito. A Vale sempre com boa onda e disposta a responder a qualquer dúvida ou michiconsulta. Recomendo imenso."
— Mariana Estayno · mudou-se com a sua gata
A mudar de casa no Porto?
Diga-nos o que precisa de mudar — grande ou pequeno, com crianças, animais ou uma coisa frágil. Um orçamento gratuito e sem compromisso, de uma equipa que trata a sua mudança como muito mais do que caixas.
Peça um orçamento no WhatsApp